Nos
últimos anos temos assistido a Invasão Farmacêutica que os estudiosos previram
na década de 70. É um processo massivo de doutrinação para aumentar o consumo
das substâncias químicas de marcas. Todos os expedientes são usados, mas a
doutrinação do médico é a que rende melhores frutos. Temos hoje uma medicina
completamente rendida à lógica do pharma poder (big pharma). Não tenho qualquer
ilusão em poder influenciar na contrahegemonia da big pharma. Pratico
simplesmente o compromisso ético de alertar os meus semelhantes sobre o engodo da
terapêutica química estranha ao organismo.
No inicio
do meu processo de busca de novos caminhos terapêuticos, trilhei na direção da
chamada medicina complementar. Essa vertente considera a medicina oficial o centro
da medicina, enquanto as outras medicinas deveriam vir complementá-la. Ao
adquirir conhecimento e experiência pude perceber que o modelo de conhecimento
da medicina oficial não resiste minimamente à lógica do conhecimento científico
moderno, e a sua terapêutica (química estranha ao organismo – quimioterapia de
marca) é na verdade a principal responsável por parte expressiva do adoecimento
atual.
Minha
tarefa tem sido a de chamar a atenção das pessoas para os riscos da terapêutica
de bloqueio com substâncias químicas estranhas ao organismo. O organismo tem as
suas leis e os seus processos corretivos já razoavelmente conhecidos pela
medicina funcional. É uma ilusão achar que se é capaz de impor regras a esse
organismo com substâncias que não fazem parte do seu processo de funcionamento.
Costumo afirmar que as substância químicas estranhas funcionam como escoras,
que ajudam a manter a casa de pé, mais nada além disso. No entanto, no
organismo, com o passar do tempo, 100% das escoras passam a ser um problema, ou
seja, ela cria um novo problema e assim sucessivamente. Não é por acaso que
morrem nos EUA, 180 mil pessoas/ano por
efeitos colaterais das drogas. Isso revela claramente o caráter tóxico dessa terapêutica.
O paciente
não tem tido opção, pois a medicina oficial não tem a menor noção do que ocorre
no organismo no processo de adoecimento. Por isso cresce assustadoramente o que
a medicina chama de doenças idiopáticas (não se sabe a causa). Aliás, a medicina oficial sabe a causa de poucas
doenças, simplesmente porque ela não olha para o organismo, e sim para a doença
enquanto entidade. Há muito a medicina deixou de olhar para o organismo humano,
quando, no Século XIX, desviou seu olhar
para a doença. Na segunda metade do Século XX ela faz um segundo desvio de
olhar ainda mais distante do organismo, quando, por total influência da big
pharma, passa a valorizar e tratar os fatores de risco. Enfim, dois processos
seguidos de abstração em relação ao organismo humano.
A
desconexão das pessoas em relação ao seu organismo em grande medida resultante
da cultura de exacerbação dos processos mentais e emocionais e do stress da
vida moderna, as torna presa fácil do discurso imediatista de supressão dos
sintomas por substâncias químicas de bloqueio, que é o carro chefe da big
pharma. As ponderações dos médicos éticos e conscientes dos riscos dessas
drogas, não costuma ter influência sobre as pessoas ainda saudáveis.
O
organismo sobrecarregado, intoxicado, desnutrido, começa a manifestar seu
desequilíbrio e a medicina oficial o enquadra numa classificação de doença
específica ou mesmo numa classificação simplesmente sintomática e,
imediatamente, lança mão da droga para tratar aquela doença ou sintoma. Existe
coisa mais simplista do que isso?
Cabe aos
médicos comprometidos com a cura um caminho completamente diferente. O médico
deve voltar a olhar para o organismo e entender os seus sinais e seus processos
ancestrais que mantêm a ordem, a coerência e a vida no organismo. Se o médico
for humilde para aceitar que quem cura é o organismo e a natureza, ele terá
olhos para ver a espetacular sabedoria
do organismo, e aprenderá a respeitá-la e agir na direção de dar suporte às
dinâmicas curativas do organismo, que, no adoecimento, se encontram em
dificuldades.
Isso é o
que tento fazer na minha prática. Uso os valiosos recursos terapêuticos já disponíveis,
ao mesmo tempo que estou receptivo para incorporar os que ainda virão. Chamo
esta perspectiva medicoterapêutica de ecletismo. Portanto, sou um médico
eclético que acredita ser o objetivo elementar da medicina, tratar e aliviar o
sofrimento humano e, se possível, curá-lo. Coloco a ética do meu lado e faço as
minhas buscas de terapêuticas que ainda não conheço.
Meu norte
neste campo é a individualidade, ou seja, cada indivíduo interage do seu
próprio modo quando é exposto à determinada terapêutica. Por este motivo, tendo
a relativizar os chamados ensaios clínicos (clinical trials) que são os
sancionadores da chamada “terapêutica química”. Uma terapêutica não precisa
funcionar para todos para ser incorporada. Se ela é eficaz para alguns, por que
não usá-la?
O
establishment terapêutico oficial é poderosíssimo e cerceia de todas as
maneiras a possibilidade de opção terapêutica individual. Para se ter uma idéia,
um divulgador do uso da oxigenioterapia chamado McCabe, apelidado de Mister
Oxigênio nos EUA, esteve preso só por defender a importância terapêutica do
oxigênio através de várias técnicas hoje disponíveis.
A
consciência de que não existe a chamada "verdadeira medicina" é fundamental para que o cidadão possa fazer
suas opções. Atrás do chamado discurso científico da medicina se esconde o
poderoso jogo politicoeconômico. A medicina como qualquer outro sistema
cultural deve ser plural. Cada indivíduo deveria desenvolver sua identidade em
relação as mais variadas concepções e opções terapêuticas, dentro de uma
perspectiva autonômica, e não simplesmente entregar ao outro a responsabilidade
sobre a sua saúde.
Desse
modo, considero a minha empreitada profissional como um movimento de construção
de identidades, de oferta de opções, de consolidação de parcerias autônomas.
Pois não adianta sermos críticos em relação à medicina oficial, se não
construirmos alternativas assistenciais viáveis.
Transformar
clientes em parceiros e ampliar os laços sociais para amplificar e viabilizar
as iniciativas no campo da medicina não oficial são tarefas de terapeutas e
clientes.