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O Implante de Progestina para Supressão da Menstruação e Anticoncepção

O conhecido ginecologista baiano Elzimar Coutinho escreveu um livro cujo título dá a exata noção do seu sistema de pensamento médico. O título do livro é “O Sangramento Inútil”. Nesse livro defende a tese de que a menstruação é quase um absurdo para a vida da mulher moderna, e o ciclo menstrual expõe o organismo da mulher às oscilações hormonais que trarão risco futuros, sobretudo câncer.

Tenho muita curiosidade de saber onde o Dr Elzimar encontrou dados para dar suporte à sua tese. Provavelmente existem alguns dados do Public Relation da indústria farmacêutica, mas um médico cuidadoso não deveria adotá-los. Aliás, o Dr Elzimar sempre foi um apologista dos hormônios sintéticos um amiguinho da BigPharma. Foi diretor da Benfam e fez implante em massa em mulheres baianas pobres desde a década de 60.

Todos os estudos sérios mostram o diferencial que a menstruação significa para a saúde das mulheres. As mulheres têm melhor saúde do que o homem enquanto menstruam e depois que passa a menopausa. Na menopausa, tende a piorar o seu estado de saúde e as mulheres adoecem mais que o homem. Isso inicialmente levantou a tese hormonal. Dizia-se que a falta do estrogênio era o responsável por essa piora, e se propôs a terapia de reposição hormonal como preservadora da saúde da mulher em menopausa. Depois de mais de 20 anos de reposição com estrógenos conjugados e progestina, viu-se que isso não era verdadeiro, e que tal reposição aumentava o risco cardiocirculatório e de câncer ginecológico.

Um estudo muito interessante foi realizado com mulheres que fizeram histerectomia, mas ainda estavam com ovários funcionantes para testar a tese hormonal. Verificou-se que essas mulheres apresentaram adoecimento (morbidade) semelhante às mulheres menopáusicas. Portanto, a questão não era o estrogênio e sim a parada da perda menstrual.

A perda menstrual promove uma desentoxicação do organismo e mantém em níveis ótimos a ferritina sanguínea (indica os estoques de ferro no organismo). O ferro é um forte oxidante e quando em excesso aumenta o stress oxidativo. Por isso, vários médicos naturalista fazem sangrias nas mulheres que adoecem quando param de menstruar.

Devemos acrescentar ainda que os estudos que revelaram o aumento do risco de câncer ginecológico em quem usa hormônios sintéticos (pílula anticoncepcional, reposição hormonal menopáusica) atribuíram tal risco muito mais à progestina do que ao estrogênio. Isso é perfeitamente compreensível, pois a progestina inibe o amplo efeito protetivo da progesterona natural em relação ao potencial tóxico do estrogênio sintético e dos xenoestrogênios (poluentes ambientais).

O implante de progestina é feito por via subcutânea, mas o uso do DIU de Mirena por exemplo também é  um implante de progestina.

Muitas mulheres realmente melhoram da síndrome pré-menstrual, mas esse mecanismo inibidor através do implante da progestina suprime o movimento fisiológico do ciclo menstrual. A TPM é a expressão da sobrecarga e da desregulação do organismo. Quando suprimido, o organismo perde a capacidade de se movimentar na direção da compensação da sobrecarga. É um equívoco pensar que o organismo silente (sem sintomas) está saudável, sobretudo quando silenciado por bloqueio químico. É só esperar que a conta será apresentada mais adiante, pois esse organismo tem as suas leis ancestrais que não são mudadas apenas porque as mulheres mudaram para um estilo de vida mais próximo dos homens.