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O que é Medicina Biológica?

O termo medicina biológica alemã (MBA) engloba uma variada gama de sistemas médicos e práticas terapêuticas. Na verdade, trata-se de uma ampla articulação entre a tradição da medicina natural alemã e européia, da homeopatia, da medicina chinesa, do empirismo médico e da pesquisa biomédica com destaque para a influência de fatores físicos no organismo.
 
O nome medicina biológica surgiu da necessidade de se contrapor à dominância da química na medicina acadêmica e oficial. Para os adeptos da medicina biológica o organismo não pode ser reduzido aos seus processos químicos. O organismo seria a expressão de processos biológicos complexos que mantêm a ordem, a coerência e a vida.

Embora seja um campo heterogêneo com estímulo ao empirismo médico, podemos identificar conceitos, concepções e teorias comuns:

1. A concepção de que no organismo complexo os fenômenos físicos predominam, dirigem e se sobrepõem aos fenômenos químicos. Daí o destaque ao estudo da bioeletrônica, da biofotônica, da ressonância, do eletromagnetismo, das influências das energias cosmotelúricas, da cromoterapia, do laser, etc.

2. A concepção de Matriz e regulação Matricial oferecida pela teoria da matriz de Pischinger. Segundo esse autor, todo o processo biológico se inicia e termina no interstício celular (matriz) e não na célula, como o admite a teoria celular de Virchow - um dos pilares do conhecimento da medicina oficial. Para Pischinger a célula não seria a menor unidade do organismo tal como pensada por Virchow, pois a célula isolada seria uma abstração estrutural do mecanicismo -  a célula sozinha é inviável. Para Pischinger só se pode falar da menor unidade corporal em termos funcionais. Assim, a menor unidade do organismo seria composta de capilar – matriz – célula.  É através da matriz que a célula recebe nutrientes, bioinformação e devolve os produtos a serem excretados. A matriz seria ao mesmo tempo tecido de junção, de condução de informações, de circulação do líquido intersticial (cerca de 18 litros no adulto), e de drenagem das escórias produzidas pelas células. Essa última função, em íntima relação com o sistema de drenagem linfático. Em suma, na teoria da matriz o inicio do desequilíbrio/adoecimento ocorre sempre ao nível do interstício celular. Daí a preocupação terapêutica com a "saúde da matriz" praticada pela medicina do spa, pela hidroterapia, pela desentoxicação, pela hidrocolonterapia, pela drenagem linfática, etc..
A teoria da matriz de Pischinger é a base da Patologia Humoral moderna que, por sua vez, é o fundamento das medicinas funcionais e integrais, ou das medicinas que abordam o organismo como um sistema complexo.

3. Teoria Homotoxicológica de Heckeweg - admite que lesão é o final da linha do processo de degeneração orgânica provocada pelo acúmulo de homotoxinas. O organismo acumula e tem dificuldade de excretar, o que leva a uma reação, em seguida a uma deposição. Com a evolução se faz a impregnação, degeneração e finalmente neoplasia. Desse modo, seria possível identificar e atuar preventivamente antes de aparecer a lesão celular, que corresponde a uma fase avançada do adoecimento.

4. Pleomorfismo/Ciclogenia - teoria desenvolvida pelo Prof. Gunther Enderlein, e afirma haver nos animais de sangue quente um grande processo simbiôntico entre células animais e vegetais (vírus, bactérias, fungos). Organelas celulares e até mesmo células como as plaquetas, seriam partes da expressão vegetal no organismo animal. Na evolução da espécie humana, de acordo com Enderlein, houve a adaptação de dois principais probiontes: o Aspergilus nigrus e o Mucus racemosus. Esses simbiontes, em estado de equilíbrio orgânico, permaneceriam sob forma de probiontes (apatogênico), não identificável. Mas, com o desequilíbrio do organismo, principalmente com as alterações do pH, os probiontes evoluiriam para formas mais complexas (ganhariam valência - Ciclogenia), e passariam a irritar todo o sistema orgânico. Enfim, trata-se de uma oposição frontal à teoria monomórfica do germe de Pasteur e Koch, que é a pedra angular da medicina oficial. A afirmação da teoria de Enderlein vira de ponta cabeça a medicina acadêmica. O pleomorfismo de Enderlein é praticado através do estudo do sangue em campo escuro, também chamado de análise do sangue vivo. A terapêutica utiliza a Isopatia - diluição homeopática dos principais simbiontes..

Recentes descobertas no campo da biologia vieram, nos últimos anos, vieram corroborar com as teses de Enderlein elaboradas na década de 40. Descobriu-se que o DNA da mitocôndria não é igual ao do núcleo (hoje há um consenso de que a mitocôndria é uma inclusão bacteriana), e que as enzimas plaquetárias são fitoenzimas. Endelein já havia chamado a atenção de que a mitocôndria era uma inclusão bacteriana na célula animal, ocorrida no processo de evolução. Também o fez em relação às plaquetas ao afirmar que elas não são derivadas da stem cell, e sim liberadas a partir do processo probionte das hemácias.

5. A MBA recebeu grande influência de Otto Warburg (1883-1970), o grande médico, pesquisador e intelectual alemão, único ganhador de dois prêmios Nobel de medicina. O Prof Warburg foi o responsável pelas principais descobertas sobre o ciclo oxidativo da respiração celular, que levaram à descoberta do ATP. Ele detectou a mudança de padrão respiratório da célula cancerosa (aeróbio/oxidativo/mitocondrial na célula normal, e aeróbio/fermentativo/citoplasmático na célula cancerosa), e trabalhou com a referência de que a célula cancerosa é uma célula desadaptada, e infinitamente menos evoluída que a célula normal, portanto, mais vulnerável, em especial em relação à capacidade de utilizar o fator vital oxigênio.

A famosa assertiva de Warburg de que todo câncer nasce em ambiente de baixa ou nenhuma oxigenação, passou a ser referência básica para a MBA, em especial, no tratamento do câncer, mas, agora, já generalizado para as demais doenças degenerativas.

von Ardenne, discípulo de Warburg, criou o Instituto do Oxigênio, e produziu volumosa pesquisa aplicada, a sustentar a terapia chamada de bioxidativa. Essa terapia favorece a oxidação celular pela oferta de oxigênio, revertendo ou prevenindo os terrenos degenerativos/neoplásicos. Dentre as terapêuticas bioxidativas hoje usadas estão a oxigenoterapia multistep, o O2 hiperbárico, a terapia com peróxido de hidrogênio, a terapia HOT (hematogenic oxidation therapy), UVB (quimioluminescência) e a ozonioterapia.

6. Teoria do foco - admite a possibilidade de poderem os processos irritativos focais afetar globalmente o organismo. Ou seja, é possivel que alterações teciduais/matriz possam se constituir em fontes de irritações/ruídos para o sistema como um todo, com grande desarranjo para a economia do organismo. Daí a valorização dos focos dentários, amigdalianos, apendicites crônicas, disbiose, cicatrizes, sinusites, etc. Com essa teoria se desenvolveu a modalidade terapêutica da Neuralterapia. Em suma, a medicina biológica dá destaque absoluto aos processos biológicos dos organismos vivos. Ou seja, é através do estudo das funções vitais que se pode compreender o adoecimento e empreender o tratamento e a cura. Atua no plano das funções (medicina funcional), e admite ser a lesão (objeto da medicina oficial) o final da linha do processo de desarranjo funcional. No campo da terapêutica atua no sentido do suporte funcional e mantém distanciamento em relação à terapêutica química estranha ao organismo - chamada de terapêutica toxicomolecular.