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Terapias Humorais: Bases Científicas e Técnicas

Dr. Neuci da Cunha Gonçalves
E-mail: neucigoncalves@gmail.com

1 - CONCEITOS
Chamamos de terapia humoral toda terapia cuja ação predominante ocorre nos líquidos circulantes, intra ou extravasculares. As terapias humorais estão calcadas em conhecimentos de fisiopatologia humoral, a qual estuda os líquidos circulantes, os mecanismos que os movem, as células, nutrientes, catabolitos e outras substâncias existentes nesses líquidos e as reações e patologias que aí ocorrem.

A visão humoral se baseia, ainda e especialmente, na relação dos humores (aí incluído o líquido intersticial) com o mesênquima, interface ubiquitária da célula parenquimatosa. A célula só existe graças ao seu entorno (mesênquima) e sem um entorno favorável a célula se enferma. O mesênquima é uma via de trânsito onde ocorrem intensas reações bioquímicas e imunológicas.

A circulação dos humores depende de diversos fatores, tais como pH, pressão, concentração das substâncias circulantes, permeabilidade das membranas, estímulos químicos e neurovegetativos e vários outros.

Para se cultivar células em plasma é necessário usar uma quantidade de líquido 2.000 vezes maior que seu próprio volume. Só assim essas células não serão intoxicadas em poucos dias por seus próprios resíduos metabólicos. Para cultivar in vitro todo o tecido do corpo humano, são necessários cerca de 200.000 litros de líquido nutritivo (Benninghoff/Goertler). Entretanto nosso organismo mantém suas células com apenas 5 a 6 litros de sangue e 16 a 18
litros de linfa.

Somente quando os emunctórios funcionam deficientemente e as zonas de depósito se encontram carregadas de substâncias indesejadas (homotoxinas, segundo Reckeweg) é que a patologia humoral se instala, alterando a dinâmica dos humores e sua interação funcional com o mesênquima.

Os trabalhos de Pischinger e Kellner, sobre o mesênquima, juntamente com as investigações sobre física molecular e hemorreologia, transformaram a patologia humoral em uma resposta científica para fatos que até poucos anos eram puramente empíricos.

2 - CLASSIFIÇÃO DO MÉTODO ASCHNER

O médico alemão Bernhard Aschner (1883-1960), por seus estudos dos escritos antigos e por seu ecletismo, é o responsável pela permanência da teoria humoral na atualidade. Seu estudo se iniciou pela obra de Paracelsus, de quem traduziu suas obras completas.

Aschner classifica as terapias humorais em:

a) Métodos que atuam na circulação sanguínea

1 - Ventosas (escarificadas e secas)
2 - Sanguessugas
3 - Sangria
4 - Sangria japonesa
5 - Emenagogos

b) Métodos que atuam na circulação linfática e no sistema imunológico

1 - Baunscheidtismo
2 - Emplastro de cantáridas
3 - Fontanelas
4 - Mini e microfontanelas
5 - Auto-hemoterapia local
6 - Outros métodos de estimulação do organismo

c) Métodos que atuam sobre os órgãos e glândulas (métodos internos de Aschner)
1 - Colagogos
2 - Drásticos (purgantes)
3 - Reconstituintes (tônicos)
4 - Eméticos
5 - Jejum

A terapia de Aschner exige uma propedêutica e uma semiologia especiais, as quais conduzem ao chamado diagnóstico constitucional.

3 - IMPORTÂNCIA DIAGNÓSTICA DAS ZONAS REFLEXAS

Dados obtidos da embriologia, da fisiologia e da neurologia clássica mostram a existência de interdependências entre as partes internas e externas do organismo. Segundo W. Hess, as manifestações vegetativas se regem pelo Princípio de Referência: os estímulos periféricos controlam as reações internas.

Na apalpação das zonas reflexas podemos distinguir três qualidades principais: plenitude, vazio e transição. Nessas zonas encontramos as geloses correspondentes, nos chamados pontos máximos (Von Puttkamer).